Projeto da CTG Brasil para controle de mexilhão dourado é premiado pelo Benchmarking Brasil

A CTG Brasil acaba de ser reconhecida e certificada pela excelência de suas práticas ambientais durante o XVII Bench Day, realizado no último dia 26 de junho, em São Paulo (SP), pelo programa Benchmarking Brasil. O case “Controle da infestação por mexilhão dourado por indução genética da infertilidade” foi o segundo colocado na categoria Sênior de Melhores Práticas e Projetos de Sustentabilidade. O trabalho concorreu com outros 25 de todo o Brasil, dos quais nove foram finalistas e apresentados no evento.

O estudo, pioneiro no País e desenvolvido pela CTG Brasil em parceria com a Bio Bureau, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Senai, é de grande importância para o setor elétrico brasileiro, pois tem por objetivo erradicar os mexilhões dourados dos rios e reservatórios por meio da reprodução de mexilhões geneticamente modificados que produzem apenas descendentes estéreis. Calcula-se que a incrustação de mexilhão dourado, espécie invasora sem predadores naturais no País, afete cerca de 40% dos empreendimentos de geração hidrelétrica do Brasil.

“Os custos para os processos de manutenção associados a infestações do molusco variam entre R$ 220 mil e R$ 1,4 milhão anuais para cada uma das usinas afetadas, além de impactos negativos à biodiversidade nativa, prejuízos à pesca, problemas para o setor de saneamento, como entupimento de canos, dutos e tubulações de água, esgoto e irrigação”, diz Aljan Machado, diretor de Saúde, Segurança, Qualidade, Meio Ambiente e Patrimônio da CTG Brasil. A empresa já investiu mais de R$ 2,5 milhões no projeto de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D).

Sobre o programa

O Programa Benchmarking Brasil é um dos mais respeitados selos de sustentabilidade do País que reconhece, certifica e compartilha as melhores práticas socioambientais das instituições brasileiras. Com metodologia própria reconhecida pela ABNT, já certificou 388 práticas de 200 instituições de 28 diferentes ramos de atividades. Nesta edição, 218 especialistas de 25 diferentes países participaram da banca avaliadora que selecionou e certificou os cases Benchmarking, dentre eles, o renomado cientista Carlos A. Nobre.

Como resultado, o programa disponibiliza uma plataforma de inteligência coletiva em sustentabilidade com banco digital, vídeos, revistas e livros com livre acesso na internet, além dos fóruns de sustentabilidade presenciais.

Em 2013, o Programa Benchmarking venceu o Prêmio von Martius de Sustentabilidade da Câmara Brasil Alemanha na categoria Humanidades. Há dois anos, incluiu os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) na metodologia de seleção dos cases e projetos, e cumpre uma intensa agenda para compartilhar e fomentar práticas alinhadas aos ODS. Também registrou suas metas e compromissos na plataforma Parcerias para Sustainable Development Goals (SDGs) das Nações Unidas.

“Reconhecimentos como este são fundamentais para que o País conheça o que empresas, pesquisadores e universidades têm feito para o desenvolvimento de um ambiente cada vez mais sustentável”, complementa Machado.

Sobre o projeto

O mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) está entre as mais temidas espécies invasoras nos rios brasileiros e se tornou uma das grandes preocupações em usinas hidrelétricas. O objetivo do projeto é criar mexilhões geneticamente modificados que serão liberados vivos em reservatórios de usinas hidrelétricas e outros locais infestados para produzir apenas descendentes estéreis, levando à sua eliminação ao longo do tempo. Esse mesmo modelo já foi utilizado para controlar mosquitos da dengue e da malária no Brasil e em outros países.

A infestação pelos mexilhões dourados, uma espécie exótica invasora, originária do sul da Ásia, é uma das causas mais importantes de incrustações que afetam peças expostas a ambientes aquáticos. Nas usinas hidrelétricas, há um impacto especialmente problemático em trocadores de calor, pois a incrustação dos mexilhões restringe a vazão e, se não for corretamente tratada, pode causar o completo bloqueio do sistema de resfriamento, levando ao seu colapso.

O molusco provoca perdas econômicas significativas causadas por frequentes paradas para manutenção, limpeza, troca de tubos ou peças, assim como maior consumo de energia para transporte da água em sistemas parcialmente bloqueados. Como não há predadores naturais fora da Ásia, a infestação causa danos ecológicos e econômicos sem precedentes.

O projeto é desenvolvido em diferentes frentes: identificação dos genes relacionados à reprodução no genoma do mexilhão; levantamento do grau de infestação nas bacias hidrográficas e reservatórios; ferramentas moleculares para modificar o genoma dos mexilhões e definição dos instrumentos regulatórios para o uso da nova solução. Já foram identificados por bioinformática 26 genes relacionados à reprodução nos mexilhões e assim avança na resolução do problema de maneira definitiva.