Gestão Sócio Patrimonial se torna cada vez mais estratégica para o setor elétrico brasileiro

Empresas geradoras e transmissoras de energia se reuniram em São Paulo para discutir os principais desafios do tema para usinas e linhas de transmissão

A necessidade de compatibilizar os usos múltiplos do solo e dos recursos hídricos, com a construção de um relacionamento com as comunidades e a constante evolução da legislação ambiental tem tornado a gestão sócio patrimonial de ativos de geração e transmissão um tema cada mais relevante para o setor elétrico. Essa é a principal conclusão do Workshop Gestão Sócio Patrimonial, promovido pela CTG Brasil e ISA Cteep com apoio da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Durante dois dias, executivos das principais empresas de energia do País e acadêmicos estiveram reunidos em São Paulo para discutir os principais desafios e tendências em gestão sócio patrimonial e compartilhar as melhores práticas. “Com o avanço das tecnologias de georreferenciamento e das imagens via satélite e drones, o tema vem ganhando cada vez mais relevância e adquirindo um caráter estratégico dentro das empresas”, afirma o diretor de Saúde, Segurança, Qualidade, Meio Ambiente e Patrimônio da CTG Brasil, Aljan Machado, no discurso de abertura sobre o tema.

Um dos principais desafios para as empresas é conciliar o crescimento social ao redor de hidrelétricas e linhas de transmissão com a segurança da população e a preservação do meio ambiente. Para lidar com esse cenário cada vez mais complexo, as elétricas têm ampliado os seus investimentos em inovação de processos, ferramentas e novas tecnologias para realizar uma gestão mais adequada dos seus ativos e atuar de forma mais preventiva.

Além do avanço no uso das geotecnologias e de imagens de satélites, foi consenso que uma gestão socio ambiental estratégica passa pela construção de um relacionamento saudável com as comunidades em torno dos ativos e pela parceria com os órgãos ambientais de fiscalização e prefeituras para coibir as ocupações irregulares das bordas dos reservatórios e das faixas de servidão das linhas de transmissão.

Outro aspecto destacado pelos participantes como desafiador no contexto brasileiro é o ambiente jurídico-regulatório. Se por um lado o setor elétrico evoluiu na definição das regras de venda de bens vinculados aos serviços de geração, transmissão e distribuição, há pontos de aperfeiçoamento no que diz respeito à reversão dos ativos ao final dos contratos de concessão e aos processos legais realizados em cartórios. Estas questões vêm trazendo preocupação para os empreendedores, que buscam soluções como as discutidas durante o Workshop.

Gestão Patrimonial na CTG Brasil

Presente em 10 estados do Brasil e administrando 8,494 mil quilômetros de extensão de bordas de reservatórios, o desafio da CTG Brasil na gestão sócio ambiental é significativo. Para efeito de comparação, essa extensão é 13% maior do que a faixa litorânea brasileira, o que demonstra a complexidade do assunto. “Na CTG Brasil, os indicadores de gestão sócio patrimonial são acompanhados e discutidos pela alta direção da empresa, o que demonstra a relevância do tema”, diz Machado.

Para garantir o compromisso de desenvolvimento sustentável de suas operações, a CTG Brasil desenvolve uma série de iniciativas voltadas à gestão dos seus ativos. Uma das principais iniciativas é o projeto Espaço Legal, um guia disponibilizado às comunidades para a preservação das margens dos reservatórios. Outras ações são o monitoramento por imagens de satélites dos reservatórios das usinas, a estruturação de um centro de monitoramento de gestão patrimonial e a operação do sistema de informações geográfico em operação para gestão territorial.

Realizado nos dias 21 e 22 de agosto, esse é o segundo ano em que o Workshop de Gestão Sócio Patrimonial foi realizado pelos agentes do setor elétrico.